Ex-libris

Almeida Restaurada


O Novo Testamento exatamente como foi traduzido e publicado por João Ferreira de Almeida, Theodorus Zas e Jacobus op den Akker em 1681 / 1693.

 

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O porquê de uma versão restaurada

 

A tradução da Bíblia Sagrada feita pelo Rev. João Ferreira Annes D’Almeida há mais de três séculos é a primeira, a mais conhecida e a mais lida de todas as traduções da Palavra de Deus em língua portuguesa, com dezenas de edições e milhões de exemplares impressos.

Mas, quem tomar aleatoriamente dois exemplares quaisquer, de edições ou tiragens diferentes, nunca encontrará dois textos semelhantes entre si. De fato, há uma grande variedade de textos que se chamam “Almeida”, diferentemente do que sucede, por exemplo, com a Bíblia em inglês, cuja versão conhecida como King James permaneceu praticamente imutável durante séculos, podendo, por isso, ser conhecida, citada e memorizada igualmente por todos os leitores, das mais diversas denominações evangélicas. Somente na segunda parte do século XX é que apareceu a New King James, e, mesmo assim, com atualizações basicamente ortográficas.

Deu-se o contrário com a Bíblia em português. Desde a primeira edição – que foi apenas o Novo Testamento – em 1681, o texto de JFA tem sofrido alterações introduzidas por revisores e/ou editores, e essas alterações têm sido, em certos casos, reais deturpações. O próprio Almeida teve necessidade de refazer toda a primeira impressão do Novo Testamento, resultando daí a impressão de 1693. Podemos afirmar que, desde então, tem havido tantas variantes quantas são as edições, as quais têm recebido designações tais como “revista”, “revisada”, “atualizada”, “corrigida” etc.

As variações impressas da Bíblia original de Almeida se devem, em primeiro lugar, à necessidade justificável de se adaptar às reformas do vernáculo, e essas não foram poucas desde a primeira edição. Mas há outros motivos não tão justificáveis. É que, a partir de algumas décadas recentes, as casas editoras e/ou os revisores entenderam que deviam fazer correções ou inserções no texto de Almeida a partir de dois manuscritos gregos descobertos em meados do século XIX, chamados Texto Crítico, os quais Almeida nunca conheceu e, possivelmente, nunca usaria, pois, além de terem 3000 divergências entre si, esses dois manuscritos são cheios de rasuras e diferem, de modo geral, da maioria absoluta dos demais manuscritos conhecidos há séculos.

Não obstante, esses dois manuscritos questionáveis foram considerados por dois linguistas ingleses, no fim do século XIX, como os mais confiáveis, pelo simples fato de parecerem mais antigos, ignorando-se com isso as suas divergências e suas muitas rasuras.

Sabe-se que a maioria das versões atuais do Novo Testamento, em todas as línguas do mundo, se baseia em uma coleção de mais de 1500 manuscritos gregos antigos. No final da Idade Média, muitos eruditos e linguistas europeus, tais como Stephanus, Erasmus, Beza, Jansson, Elzevir e outros, coligiram os manuscritos gregos em único volume impresso. Embora cada um deles em separado tenha feito essa compilação e impressão, os textos resultantes de suas obras foram muito semelhantes entre si, de sorte que os mais fidedignos deles ficaram conhecidos como Textus Receptus, isto é, o texto que foi geralmente reconhecido e aceito como o texto grego do Novo Testamento. Almeida tomou como fonte de sua tradução o texto de Jansson, publicado em 1639 (ainda que, na sua mocidade, ele tenha feito duas outras traduções do Novo Testamento, uma do espanhol e outra do latim).

No Brasil, algumas editoras, seguindo a tendência moderna, passaram a inserir no texto original de Almeida variantes existentes somente nos dois manuscritos, ou Texto Crítico, ou passaram a eliminar partes que os tais manuscritos não contêm, mesmo sendo eles divergentes da maioria dos manuscritos até então aceitos.

As variantes oriundas desses dois manuscritos têm, por conseguinte, substituído porções da tradução de Almeida, e isto quase sempre sem qualquer notificação ao leitor, para informá-lo de que, no fim das contas, o que ele tem nas mãos já não é mais a obra integral de Almeida, mas, em determinadas passagens, uma mutilação ou excrecência do texto do tradutor português. E, no entanto, essas versões continuam sendo atribuídas integralmente a João Ferreira de Almeida, sem quaisquer ressalvas ou avisos ao leitor.

Contudo, o que é mais grave em relação a essas alterações é que, em certos casos, elas acabam por lançar dúvidas quanto à Divindade da pessoa de Jesus Christo, ao negar ou omitir Seus atributos Divinos. Por exemplo, duas dessas versões mais usadas, apoiadas no Texto Crítico, excluem o final do versículo de João 3:13, e, assim fazendo, eliminam a afirmação da Onipresença do Senhor mesmo enquanto no mundo.

 Almeida era muito criterioso em seu estilo de tradução, porque acreditava na inspiração literal da Palavra Divina até mesmo quanto à ordem em que as palavras foram ditadas ou inspiradas aos profetas, evangelistas e apóstolos. Por isso, Almeida tinha um santo escrúpulo – digamos assim – e não omitia, não excluía, nem acrescentava coisa alguma ao texto. Além disso, sempre que havia necessidade imprescindível de inserir uma palavra, ou mesmo uma letra, ele indicava isso duplamente, por meio de realce em tipo itálico e pondo entre colchetes os termos acrescidos. Esse seu rigoroso critério de tradução lhe valeu críticas já a partir de seu segundo revisor, Maurits Mohr, em 1773, que tinha princípios diferentes de tradução e também foi o pioneiro em modificar o texto de Almeida.

Assim, diante de tantas variações, cada uma delas se considerando, não obstante, “Almeida”, é curioso que o leitor zeloso das Escrituras em nosso idioma não encontre à mão o texto integral de João Ferreira, exatamente como foi traduzido por ele, fato que se torna ainda mais significativo quando se constata a fidelidade do nobre tradutor português para com o texto grego, ciente que era da exortação no Apocalipse 22:18, 19 e do que foi dito em Mateus 5:18.

Em face dessa situação, pareceu-nos útil oferecer ao estudante da Palavra de Deus o texto original do zeloso Almeida, exatissimamente como foi traduzido, revisado e impresso por ele e por Rev. Jakobus op den Akker – seu colega, ajudante, coautor e sucessor nessa obra. Mas trazemos, também, em uma coluna paralela, uma sugestão de atualização ortográfica minimamente necessária a fim de facilitar a leitura e auxiliar a compreensão da língua à época de Almeida. Essa atualização se baseia em critérios bem objetivos (vide nota explicativa, pág. 329), de sorte que o leitor pode julgar por si mesmo a validade ou a propriedade das atualizações sugeridas.

É nosso propósito oferecer todo o Novo Testamento nesse formato, o que será a versão restaurada do texto de Almeida de 1693. Esta é uma impressão provisória, dividida em dois volumes: o primeiro contém os quatro evangelhos, e o segundo, as cartas apostólicas e o livro do Apocalipse.

É nossa esperança que este trabalho seja uma contribuição útil ao estudante atento da Palavra, que deseja conhecê-la como exatamente foi traduzida em nosso idioma pelo Reverendo Almeida.

Vide, no final do volume 1, o Argumento do Novo Testamento, que foi o prefácio de Almeida à primeira publicação.

 

C. R. Nobre

Organizador

 

O texto de Almeida, agora restaurado.

 O Novo Testamento

 

Exatamente como foi traduzido e publicado em 1681 e 1693 por João Ferreira de Almeida  e seus auxiliares, Theodorus Zas e Jacobus op den Akker, na congregação holandesa da Batavia.


 

 

 

A primeira impressão (provisória) sai em dois volumes: volume 1, 344 páginas, com os quatro Evangelhos, e volume 2, 450 páginas, com as Cartas Apostólicas e o Apocalipse.

O texto da primeira publicação (1681/93) está rigorosamente reproduzido, inclusive com a tipografia semelhante à da época, para que o leitor conheça com exatidão como foi traduzida a Palavra de Deus por Almeida.

 

E como a tipografia original e os arcaísmos linguísticos podem representar alguma dificuldade para o leitor não habituado, acrescentamos uma coluna auxiliar com o texto atualizado, mas somente no que fosse realmente necessário e, mesmo assim, seguindo critérios precisos. Todas as atualizações sugeridas doram feitas com base em dicionário existente na época em que foi feita a tradução. Veja mais aqui.

Além disso, restauramos as referências cruzadas feitas por Almeida, por serem de grande auxílio no estudo da Palavra, por relacionar o ensinamento de um versículo com o de outras passagens bíblicas, o que ajuda muito a esclarecer pontos doutrinais.

Foram restauradas, também, as notas explicativas adicionadas por Almeida na edição original, e muitas outras notas de rodapé com significados de termos, especialmente os arcaísmos.

 

1 - A coluna da esquerda tem o texto original e com tipografia idêntica à da época, enquanto a coluna da direita é esse texto atualizado conforme os critérios citados.

2 - Restaurados os subtítulos, que são o sumário do capítulo, elaborados por Almeida.

3 - Restauradas as referências cruzadas ou remissivas, úteis para localizar passagens confirmatórias.

4 - Restauradas as notas explicativas adicionadas por Almeida.

5, 6 e 7 - Para substituição de termos arcaicos, foram feitas consultas aos termos gregos em questão e aos léxicos mais contemporâneos da primeira edição.

 

Os dois volumes estão disponíveis para venda. Para mais informações, clique aqui.


 

Quem foi João Ferreira D'Almeida?

Há várias fontes confiáveis na literatura e na Internet sobre a origem de João Ferreira Annes d’Almeida. Alguns detalhes citados por elas são um pouco divergentes entre si, mas, de modo geral, podemos ter uma ideia de quem foi o primeiro publicador da Bíblia em nosso idioma.

João nasceu em Torre de Tavares, um povoado no nordeste de Portugal, em 1628, mas sabe-se muito pouco de sua infância. Alguns biógrafos ou estudiosos supõem que ele era de família judia e que, por isso, seus pais sofreram a perseguição religiosa movida pela Inquisição e teriam sido banidos de Portugal. Continua


 

A história da tradução

Sabe-se que Almeida, desde a adolescência e durante o tempo em que se preparava para o sacerdócio, sentiu uma grande necessidade de oferecer aos cristãos de língua portuguesa as Escrituras Sagradas na sua própria língua.  E é sabido, também, que ele começou, aos 16 anos, traduzindo porções da Bíblia espanhola e, mais tarde, partes da tradução latina de Beza. Essas traduções não chegaram a ser impressas, mas parte delas foi distribuída em cópias manuscrita. Contudo, o grande projeto de vida de Almeida era traduzir a Palavra diretamente das línguas originais, hebraico, aramaico e grego. Continua


 

Critérios seguidos na atualização do texto

Com o intuito de auxiliar a leitura do texto da primeira edição do Novo Testamento, inserimos uma coluna à direita do texto original, como uma imagem atualizada do texto de 1693, mas atualizada ortograficamente. Mas, a fim de preservar a integridade e a beleza da tradução de Almeida, limitamo-nos a fazer o mínimo de atualização possível. E, ainda assim, essas atualizações foram todas regidas por certos critérios, de sorte que o leitor pode por si mesmo julgar se o texto atualizado da direita retrata fielmente o sentido original. Saiba mais.


 

A fidelidade de Almeida ao texto grego

Almeida era muito criterioso em seu estilo de tradução, porque acreditava na inspiração literal da Palavra Divina até mesmo quanto à ordem em que as palavras foram. Continua.

 

 

 

Almeida Restaurada - CNPJ 33.048.944/0001-98
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