Ex-libris

Almeida Restaurada


O Novo Testamento exatamente como foi traduzido e publicado por João Ferreira de Almeida, Theodorus Zas e Jacobus op den Akker em 1681 / 1693.

 

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As fontes das traduções de Almeida

Encontramos muitas informações divergentes em livros, sites e blogs a respeito das fontes utilizadas por Almeida, feitas por indivíduos que não averiguaram com cuidado o ponto a seguir. Alguns deles até têm formação teológica, enquanto outros parecem simplesmente repetir o que aprendem em vídeos na Internet. Creio que existem poucas personalidades na história da literatura portuguesa cuja biografia tenha versões tão desencontradas como João Ferreira de Almeida, e essas divergências acabam trazendo desconfiança em relação ao valor da maior obra de sua vida, a tradução da Palavra Divina.  Dentre as divergências sobre as fontes das traduções de Almeida, encontramos os que afirmam que ele traduziu o Novo Testamento da Vulgata latina; outros, que ele o traduziu da Bíblia espanhola de Reyna e Varela; outro, com pretensa erudição, afirma categoricamente que Almeida traduziu do holandês, já que não conhecia hebraico nem grego. Dentre os que afirmam que ele traduziu do grego, uns citam da edição de 1633, de Elzevir, como a original, enquanto afirmam que foi do texto de Stéfano.

Felizmente, há pesquisadores sérios que investigam com cuidado os fatos antes de fazerem afirmações.  Dentre eles, há um, Jairo Cavalcante, que teve o trabalho de fazer uma confrontação do original do Novo Testamento de Almeida com as várias versões gregas então existentes. Em sua tese para a Universidade Metodista de São Paulo, em 2013, (https://metodista.br/@@search?SearchableText=jairo+paes+cavalcanti+filho) Jairo apresentou o seguinte abaixo, provando categoricamente que a fonte de João Ferreira de Almeida para o Novo Testamento foi a edição de Jansson, de 1639. (Essa versão, juntamente com a de Stéfano e Elezevir, todas impressas em grego, eram transcrições de um conjunto de manuscritos que eram indubitavelmente aceitos como os confiáveis, e por isso, as edições ficaram conhecidas como Textus Receptus.

 

Textos gregos existentes na Europa

 

Passagens discordantes de João Ferreira de Almeida.

Passagens concordantes / passagens examinadas

Jansson (1639)

(não há)

0 em 9

H. Stephanus 1 (1576)  

Mt 27:41  

1 em 9

H. Stephanus 2 (1587)  

Mt 27.41.  

1 / 9

Loukaris (1638)  

Mt 27.41.  

1 / 6

Beza (1565)  

Mt 27.41 e Tg 4.2.  

2 / 9

Beza (1588)  

Mt 27.41 e Tg 4.2.  

2 / 9

Beza (1598)  

Mt 27.41 e Tg 4.2.  

2 / 9

Elzevier 2 (1633)  

Mt 27.41 e Tg 4.2.  

2 / 9

Curcellaeus (1658)  

Mt 27.41 e Tg 4.2.  

2 / 9

R. Stephanus 1 (1546)  

Lc 2.22; 17.36 e Tg 4.2.  

3 / 9

R. Stephanus 2 (1549)  

Lc 2.22; 17.36 e Tg 4.2.  

3 / 9

R. Stephanus 4 (1512)  

Lc 2.22; 17.36 e Tg 4.2.  

3 / 9

Bryling (1563)  

Mt 27.41; Lc 2.22 e Tg 4.2.  

3 / 9

Plantiniana Raphelengii (1613)

Mt 23.25; Tg 4.2 e Ap 4.8.  

3 / 9

Scaliger (1620)  

Mt 23.25; Tg 4.2 e  Ap 4.8.

3 / 9

Erasmo 3 (1522)

Mt 27.41; Lc 2.22; 17.36 e Tg 4.2.  

4 / 9

Erasmo 4 (1527)

Mt 27.41; Lc 2.22; 17.36 e Tg 4.2.  

4 / 9

Erasmo 5 (1535)

Mt 27.41; Lc 2.22; 17.36 e Tg 4.2.  

4 / 9

Colines (1534)  

Mt 6.18; Lc 2.22; 17.36 e 1 Jo 5.7-8.  

4 / 9

R. Stephanus 3 (1550)  

Mt 27.41; Lc 2.22; 17.36 e Tg 4.2.  

4 / 9

Erasmo 2 (1519)

Mt 27.41; Lc 2.22; 17.36 e 1 Jo 5.7-8.  

4 / 9

Sabio (1538)  

Mt 23.25; Lc 2.22 e 17.36.  

3 / 6

Complutense (1514)

Mt 6.13; 6.18; 23.25; Tg 4.2 e Ap 4.8.  

5 / 9

Erasmo 1 (1516)

Mt 27.41; Lc 2.22; 17.36; Tg 4.2 e 1 Jo 5.7-8.  

5 / 9

Aldina (1518)

Mt 27.41; Lc 2.22; 17.36; Tg 4.2 e 1 Jo 5.7-8.  

5 / 9

 

Outras duas indicações corroboram que a edição de Jan Jansson foi o original utilizado por Almeida. Primeiro, o local de impressão de Jansson foi Amsterdam; é, portanto, mais provável que estivesse disponível na colônia holandesa, a Indonésia, um exemplar produzido na Holanda. Em segundo lugar, a data da edição: 1639 é mais próxima do tempo de Almeida, e poderia estar disponível na Batávia (Jakarta) já a partir de 1640.

Informações idôneas, tais como o exame comparativo acima, da tradução de Almeida com os originais citados, nos levam às seguintes conclusões:

a)    as suas primeiras traduções (aquelas que nunca foram publicadas), ele fez, de fato, do espanhol de Reyna e Varela, do italiano de Diodatti e, mais tarde, do latim de Beza, tal como ele mesmo declarou.

b)    quando, porém, empreendeu a sua tradução definitiva do Novo Testamento, terminada em 1670 ou 1676 e publicada em 1681, ele usou como fonte o texto grego de Jansson (de 1639);

c)    consequentemente, ele não traduziu da transcrição grega de Elzevier nem da de Stéfano, embora sejam idôneas, do Texto Recebido;

d)    nem, tampouco, da Vulgata latina ou outra língua.

e)    depois, para o Velho Testamento, utilizou o hebraico massorético.


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