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Almeida Restaurada O Novo Testamento exatamente como foi traduzido e publicado por João Ferreira de Almeida, Theodorus Zas e Jacobus op den Akker em 1681 / 1693.
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Critérios de atualização |
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Com o intuito de auxiliar a leitura do texto da primeira edição do Novo Testamento, inserimos uma coluna à direita do texto original, como uma imagem atualizada do texto de 1693, mas atualizada ortograficamente. Mas, a fim de preservar a integridade e a beleza da tradução de Almeida, limitamo-nos a fazer o mínimo de atualização possível. E, ainda assim, essas atualizações foram todas regidas por certos critérios, de sorte que o leitor pode por si mesmo julgar se o texto atualizado da direita retrata fielmente o sentido original. Tivemos a necessidade de atualizar em quatro níveis: 1) correção de erros óbvios de composição de texto; 2) atualização tipográfica; 3) atualização ortográfica; 4) substituição de termos arcaicos ou em desuso. 1) Atualização tipográfica e ortográfica. Consistiu, de modo, geral no seguinte: a) Substituição dos caracteres arcaicos, tais como os dois "ss", "s" minúsculo", "s", "st", além de outros;
b) Inserção de hífen (-) entre os verbos e os pronomes ‘se’, ‘me’, ‘lhe’ etc., uma vez que o hífen não era empregado no português da época[1], à semelhança do espanhol. c) Contração de preposições e artigos, grafados separadamente no original; por exemplo: a + o, ao; a + os, aos; etc. d) Eliminação do apóstrofo entre as preposições “de”, “em” e os artigos; por exemplo: d’o = do; d’os = dos; n’a =na; etc. , , e) Mudança de posição do til nos ditongos nasais. Por exemplo: ‘aõ’ = ão etc. f) Eliminação de consoantes duplas. Por exemplo: elle = ele, ella = ela; etc. g) E as demais reformas ortográficas, até a última, de 2009. 2) Arcaísmos. Quando absolutamente necessário, foram substituídos por sinônimos atuais os vocábulos que desde 1681 se tornaram arcaicos, sempre mediante consulta ao vocabulário português da época (Vocabulário Portuguez & Latino, do Padre Bluteau, Coimbra, 1712) e, sobretudo, em conformidade com o texto grego adotado por Almeida. Por exemplo: ‘azinha’, ‘arremangar’, ‘alfayas’, ‘pucaro’ etc. Outros vocábulos que caíram em desuso, mas ainda constam no vocabulário atual, ou cujo sentido se alterou com o tempo, foram mantidos, mas, sempre que possível, esclarecidos por notas de rodapé. Por exemplo: ‘alcofa’, ‘argueiro’, ‘roupeta’ etc. 3) Pontuação. Sabe-se que a pontuação nos antigos textos gregos era inexistente [2] ou pouco utilizada, ficando sua inserção a critério do tradutor e sujeita às regras linguísticas do momento, naturalmente. O texto traduzido por Almeida tem, por exemplo, dois pontos (:) onde hoje se utilizaria ponto; vírgulas precedendo quase sempre a conjunção “e” e assim por diante. Daí surgiu a necessidade de se fazerem pequenas mudanças na pontuação, no texto atualizado. 4) Transliteração de nomes gregos. Almeida foi muito criterioso na transliteração de antropônimos e topônimos gregos e hebraicos. O fato de ser o primeiro tradutor da Bíblia em nosso idioma deu-lhe a liberdade de optar pelas grafias que lhe parecessem mais adequadas dos nomes bíblicos. Depois de três séculos, porém, a maioria desses nomes foi alterada e consagrada pelo uso corrente de forma diferente daquela que Almeida preferiu. Sendo assim, para facilidade de leitura, nós optamos por atualizar os nomes na forma como são conhecidos no português da atualidade. 5) Inserções. Almeida, também, foi extremamente cuidadoso em nada tirar nem acrescentar à letra da Palavra, guiado por sua fé na advertência Divina no final do livro do Apocalipse. Ele tentou trazer cada termo grego para o português, e, quando houve a necessidade de acrescentar um vocábulo em português, por amor do sentido, ele indicou, por meio de colchetes e tipos itálicos, todas as inserções feitas ao texto sagrado, mesmo que fosse uma única letra. Ele fez absoluta questão de marcar bem claramente o que vinha dele e não do texto grego da Palavra. Na atualização, nós mantivemos, obviamente, essas indicações de acréscimos por meio de tipo itálico, mas eliminamos os colchetes. E, nas raras instâncias em que nos pareceu imprescindível fazer alguma nova inserção no texto atualizado, deixamo-la bem marcada com o uso de chaves e tipo itálico: {assim}. 6) Regência de verbos. No texto de Almeida, quase sempre os verbos transitivos diretos foram empregados como se fossem indiretos, acompanhados da preposição “a”, para bem distinguir em nosso idioma as funções das palavras, funções essas que no grego estão bem distintas por suas desinências. De fato, nos poucos casos em que ele não adicionou a preposição, a ordem das palavras criou certa ambiguidade. Por exemplo: no versículo 47 de Lucas 11, se lê: “Ay de voſoutros, que edifficaes os ſepulcros dos Prophetas, e matáraõ os voſſos paes”. Aí, a concordância verbal nos faz saber que não foram “vosoutros” que mataram (pois, nesse caso, o verbo teria de ser “matastes”). Mas, por outro lado, não sabemos se foram os profetas que mataram vossos pais ou o contrário, vossos pais mataram os profetas. Essa ambiguidade podia ocorrer no português por não termos em nossa língua o recurso de desinências diferiancidas conforme a função, ou as declinações comuns no latim e no grego. Foi, por conseguinte, para prevenir ambiguidades, como as que foram citadas há pouco, que Almeida fez uso da preposição “a” antes de quase todo objeto direto. No texto atualizado, porém, eliminamos essa preposição em quase todas as suas ocorrências, pois hoje em dia nossa língua mantém certa ordem que, de modo geral, elimina a ambiguidade, a saber, sujeito-verbo-objeto direto-objeto indireto. Mas, como foi dito, talvez porque Almeida percebeu que em nosso idioma a regra da posição não era clara, preferiu optar, por via das dúvidas pela preposição antecedente. Então, no caso do texto mencionado acima, a atualização seria assim: “Ai de vós outros, que edificais os sepulcros dos profetas e vossos pais os mataram”. 7) Aoristo. Os verbos que no grego estão no aoristo foram traduzidos por Almeida como particípio, singular ou plural, por exemplo, ‘partidos elles’, ‘saido elle’, e, algumas vezes, como gerúndio (p. ex.: “E tomando...” Mat. 26:37). Na atualização, portanto, empregamos o gerúndio: ‘partindo eles’, ‘saindo ele’. 8) Preposição "de". Substituição da preposição ‘de’. Em todos os casos em que a preposição “de” (separada ou combinada com algum artigo) indicava um agente, ela foi substituída pela preposição ‘por’. Exemplos: ‘E éraõ d’elle bautizados’ = ‘E eram por ele batizados’; ‘levado d’o Espirito’ = ‘levado pelo Espírito’; ‘atentado do Diabo’ =‘tentado pelo diabo’. 9) Capitalização. Abolimos na atualização a capitalização de termos gentílicos, títulos e de certos substantivos, em benefício da suavidade da leitura; por exemplo: Judeos, Sacerdote, Templo etc.). 10) Artigos. Inserimos artigos definidos em casos mais óbvios, especialmente topônimos: ‘de (da) Babilônia’, ‘de (da) Galileia’, ‘do’ Egito etc.). 11) Advérbio ou conjunção “como”. Provavelmente por causa do latim “cum”, encontramos no português de Almeida o frequente emprego de “como” com a função de “quando” para traduzir o grego ως, Hōs. Por exemplo: “Como pois o Senhor entendeu...” (João 4:1). Nesses casos, atualizamos "como" para ‘quando’. 12) Inconstâncias. Alguns termos foram grafados ora de uma maneira, ora de outra, possivelmente por lapso dos tipógrafos holandeses ou indonésios. Como exemplo, encontramos ‘paõ’ e ‘pam’; ‘pés’ e ‘pees’; ‘pergunta’ e ‘pregunta’; ‘paſſarám’ e ‘paſſaraõ’. Em todos os casos adotamos, obviamente, a grafia atual. 13) Influência do espanhol. Nota-se ainda muito forte no português do século XVII a proximidade do espanhol e, por conseguinte, a influência dessa língua no texto de Almeida. Por exemplo, os termos “entonces” (então), “novamente” (recentemente), “vosoutros” (vós), “menudo” (miúdo), “manida” (morada) etc. Esse fato pode ter levado algumas pessoas a deduzir que Almeida teria traduzido o Novo Testamento a partir do espanhol, opinião essa que é facilmente refutada quando se observa, em muitas passagens, a fidelidade de Almeida ao texto grego e, nesses mesmos casos, seu distanciamento da tradução espanhola de Reina. Ambos os tradutores, Almeida e Casiodoro de Reina, foram fidelíssimos ao grego, donde se nota a semelhança das traduções em ambas as línguas. Não obstante, uma vez que as traduções espanholas de Ferrara (1554), Reina (1569) e Valera (1602) já eram de uso corrente e confiáveis, é natural que Almeida tenha tomado essas traduções como referência e delas tenha tomado emprestado alguns de seus termos. 14) Erros tipográficos. Os seguintes erros óbvios de tipografia foram corrigidos na transcrição e marcados com tipo sublinhado em suas ocorrências. Alguns deles foram indicados e corrigidos à pena nas margens, na edição refeita. São os seguintes:
[1] Vide ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa - https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-do-uso-do-hifen-na-ortografia/29502, acessado em 19/04/2019. [2] Vide https://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2017/10/25/o-grego-antigo-possuia-pontuacao/, acessado em 19/04/2019.
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Almeida Restaurada - CNPJ 33.048.944/0001-98 |