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Almeida Restaurada O Novo Testamento exatamente como foi traduzido e publicado por João Ferreira de Almeida, Theodorus Zas e Jacobus op den Akker em 1681 / 1693.
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Fidelidade da tradução de Almeida |
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Comparativos de traduçõesEm dado momento durante seu ministério Almeida entendeu que era necessário oferecer ao povo português a Palavra de Deus em sua própria língua, em uma tradução mais próxima possível dos originais, isto é, hebraico, aramaico e grego. E decidiu começar pelo Novo Testamento, tendo como base o chamado "Textus Receptus", isto é, a coleção de manuscritos gregos aceitos como os melhores originais. Almeida pretendia fazer uma tradução honesta, que não omitisse e não acrescentasse palavras, nem distorcesse o sentido original. Mais tarde, Almeida escreveria: “A mesma Escritura Sagrada, por ser a Palavra de Deus divinamente inspirada, tem de si mesma bastantíssima autoridade e contém suficientemente em si toda a doutrina necessária para o culto e serviço de Deus. É, portanto, que o dever de todo cristão é ler, meditar e esquadrinhar a S. Escritura, como Deus nosso Senhor também manda...”. Alterações no texto de AlmeidaComo vimos, o texto traduzido por João Ferreira de Almeida começou a sofrer alterações desde a primeira publicação, ainda durante a vida do tradutor, e continuou sofrendo mais tarde, após a morte dele. Em 1712, os dinamarqueses fizeram pequenas alterações, possivelmente corrigindo somente erros tipográficos, mas estamos aguardando ter a cópia solicitada à Biblioteca dinamarquesa, para verificar este ponto. Em 1773 o revisor Maurits Mohr atribuiu os erros da primeira edição à falta de um revisor, na Holanda, que examinasse as provas, e indica que houve mais de 1000 erros apontados por Almeida. Para Mohr a quarta edição era fundamental porque essa nova “Impressaõ, que é aumento na lingoa portugueza, e que de nossos Cristaõs na India Oriental já de muito tempo grandemente foi desejada, naõ somente por falta de bastantes Exemplares das precedentes de impressões, mas tambem por serem elas (principalmente a primeira e terceira) enchidas de tantos e tantos grosseiros erros, que a lingoa e o texto Bíblico de tal maneira tem afetado, que huã Ediçaõ nova e emendada para o melhor uso maior edificaçaõ das Igrejas Portuguezas absolutamente necessária. (MOHR, 1773, p. 5).” Nas palavras com que prefacia essa que seria a quarta edição do Novo Testamento, Maurits Mohr entendeu que devia usar como referência outras fontes, além da que Almeida usou: “a nova versaõ Holandeza ou Belgica de 1618 & 1619, a Versaõ alemã de Lutero, e a Casteliana de Cypriano de Valera de 1602, da qual (como também da Belgica) o Reverendo Traductor usou frequentemente e felizmente, por merecerem ellas entre as melhores o primeiro lugar. (Mohr, 1773, p. 9). Nessa posição de Mohr já vemos um começo de um desvio dos princípios adotados pelo tradutor original. Apesar disso, houve um historiador que considerou vantajosa essa revisão de Mohr, porque apresentava “uma proposta cujo foco é realmente a língua portuguesa e não uma semelhança com as línguas dos textos fonte.” Essa avaliação, falando de focalizar no português é, visivelmente, comungante da teoria de tradução dinâmica, isto é, traduzir (ou interpretar) ideias, em vez de palavras. De fato, essa visão adotada por Morh é a mesma que viria mais tarde ganhar força com a doutrina de Westcott e Hort, ou seja, de se produzir uma Bíblia que possa ser lida com facilidade, mesmo em detrimento da fidelidade ao original. Essa doutrina ou filosofia de tradução dinâmica faz muito sentido para aqueles que não creem em uma inspiração literal das Escrituras, ao nível de cada vocábulo, como, infelizmente, parece ter sido o caso de seus dois pioneiros americanos. Então, dependendo do ponto de vista, ou do princípio de tradução adotado, o que para uns pode parecer uma vantagem e uma melhoria na tradução, para outros é, de fato, uma deterioração. E aqui devemos chamar a atenção novamente para o pensamento que norteava Almeida em sua filosofia de tradução. Em 1673, em um trabalho publicado em português na Onderscheydt der Christenheydt, sob o título “Apêndice”, Almeida, comentando o oitavo e o nono mandamentos, afirmou que, mesmo que uma expressão traduzida retivesse o “verdadeiro sentido”, mas mudasse o “modo de falar”, isto seria falsificar as palavras das Escrituras. Por “modo de falar” ele queria dizer: a) trocar a ordem original das palavras e frases (quando isso não alterasse o sentido em português); b) acrescentar ou suprimir palavras desnecessariamente; ou c) utilizar expressões que suavizassem o texto. Em outras palavras, Almeida reconhecia a plena autoria Divina das Escrituras, até mesmo ao nível da ordem das palavras do texto original, e, por isso, procurava preservar o sentido e a construção da língua original, ainda quando isso soasse estranho ao ouvido português (Jairo P. Cavalcanti Filho, História de JFA). E, para Almeida, os únicos “originais” eram o grego do Novo Testamento e o hebraico massorético para o Velho Testamento. Infelizmente, parece que a maioria dos revisores de Almeida, desde o princípio, não compartilhava da mesma crença na autoria Divina ao nível literal dos textos gregos. Por exemplo: Na primeira edição, de 1681, João tinha traduzido Mateus 4:12: “João estava entregado”. Mas os revisores holandeses devem ter achado isso estranho – e, convenhamos, de fato é. Por isso, eles “corrigiram” para “João estava preso”. Todavia, quando o texto impresso chegou às mãos de Almeida, esta foi uma das correções que ele fez, voltando Mateus 4:12 para a forma original, literalmente, “João estava entregado”. Naquela época, assim como hoje, a forma “estava preso” soa melhor ao ouvido português do que “estava entregado”. Mas Almeida seguia o que estava no grego e não que ficasse melhor ao ouvido do leitor. Ao examinar dois exemplares sobreviventes da primeira edição, podemos verificar o cuidado rigoroso de Almeida em relação ao exato sentido literal, tanto no uso de colchetes, para indicar vocábulos por ele inseridos, quanto pelas correções que ele fez a tinta na primeira impressão, a fim de restaurar o original de sua tradução. Verificando as erratas que ele indicou, podemos seguramente dizer que elas se referem, em sua maioria, a erros ortográficos ou tipográficos e omissão de vocábulos. Os erros tipográficos se devem, provavelmente, ao tipógrafo holandês, na composição dos tipos, ou aos revisores, por não terem relido as provas antes da impressão. Mas há várias correções que são substituições de palavras (por exemplo, “matado” substituído por “morto”) e frases inteiras (por exemplo, em Lucas 19:48: “E naõ achavaõ que lhe fazer, porque todo o povo se chegava a elle, e ouvia [o]” que ele corrigiu para “E naõ achavaõ que lhe fazer, porque todo o povo pendia d’elle, ouvindo”. Não sabemos se a parte final do versículo foi para corrigir algo inserido indevidamente pelos revisores ou se o próprio Almeida, pensando melhor, alterou uma tradução sua. De qualquer forma, a alteração aproximou mais do original grego, porque “pendia d’elle”, embora soe estranho em português, reflete melhor o termo grego, segundo a concordância Strongs e, também, de acordo com Kempton, “hung up upon Him”, e Almeida Corrigida Fiel: “pendia para ele, escutando-o.” Já as outras versões têm: NVI, “o povo estava fascinado pelas suas palavras”; NTLH: “todos o escutavam com muita atenção”; PKJA: “Todo o povo estava absolutamente sob o domínio das suas palavras” e a Bíblia Viva: “porque Ele era um herói para o povo, que dava ouvidos a cada palavra que Ele dizia”. Em vista do que sabemos sobre a história do Novo Testamento de Almeida e sua obstinada fidelidade ao texto grego original, seria de esperar que ele detectasse eventuais erros inseridos pelos revisores holandeses, na tentativa destes de adequar o texto à Bíblia de sua língua. Mas não é isso que encontramos em suas correções. O fato é que Almeida, indignado com as falhas, teve o trabalho de ler todo o Novo Testamento e fazer correções à mão. Em seguida, mandou imprimir uma folha de “errata” e ajuntou a alguns exemplares, escapados da destruição. E os erros que Almeida indicou para serem corrigidos na impressão seguinte eram erros ortográficos, pelo menos nos Evangelhos e no Apocalipse. Então, se tivesse havido algum desvio de outra natureza que não ortográfico, isto é, inserido pelos revisores, Almeida certamente os teria corrigido, de preferência às falhas ortográficas, porque era intransigente quando à fidelidade da tradução e meticuloso o suficiente para marcar mais de 1000 problemas naquela impressão. Eu verifiquei as erratas anotadas nos Evangelhos e no Apocalipse, e não me pareceu que houvesse erros senão ortográficos e ou gramaticais. Daí concluímos, com grande probabilidade de estarmos certos, que os revisores têm sido acusados injustamente de inseriram algo grave a ponto de deturpar o texto de Almeida. De fato, eles seriam responsáveis por tantos erros ortográficos ou tipográficos, já que não se deram o trabalho de examinar as provas da gráfica. Outra conclusão, resultante daí, é que o texto de 1681, corrigido à mão pelo próprio tradutor, deve ser a versão mais autorizada de sua tradução do Novo Testamento, a original na qual as outras “Almeidas” devem ou deveriam se basear. E, graças à Divina Providência, dois exemplares com a errata e dois sem, chegaram até nossos dias. Comparando diversas versõesNosso objetivo nesta seção é avaliar a tradução de Almeida, em face das outras, quanto à fidelidade ao texto original da Palavra. É evidente que, quando dizemos “texto original”, estamos falando a partir de nossa visão de membros da Nova Igreja, que cremos em um sentido espiritual na Palavra e na preservação da Letra pela Divina Providência. Consequentemente, aceitamos como “original” a Letra da Palavra traduzida do hebraico e do grego para o latim por Swedenborg, pois ele, diferentemente de outro tradutor, estava na iluminação celeste e via o porquê de cada termo da Palavra ser como é. Para comparar as versões, tomamos alguns exemplos do Velho e do Novo Testamento, selecionados aleatoriamente por um dos biógrafos de Almeida, e ajuntamos nos comparativos algumas das versões mais conhecidas e, também, as que mais utilizamos.
Alguns tradutores deduziram que a pedra schoham é a mesma que ônix; outros tiveram sardônica ou berilo, ou preciosa. Por via das dúvidas, Almeida não tentou interpretar, mas deixou como está no hebraico, "pedra schoham".
A repetição do verbo "morrer", com gerúndio, 'morrendo morrerás', tem sido interpretada como uma ênfase do hebraísmo por alguns tradutores. Mas Almeida provavelmente entendeu que deve haver uma razão espiritual para isso estar na Palavra de Deus, e preferiu não tirar ou acrescentar, mas deixar as duas formas verbais como estão na língua original, tal como também fez Sebastian Schmidt.
'Em gerações do século', como Almeida tem, é a forma que mais se aproxima do hebraico.
Novamente a repetição do verbo, aqui o verbo tornar, 'tornando tornarei'. É claro que essa forma é bem estranha à nossa língua, mas é assim exatamente que está na língua original.
Almeida tem a forma: 'fizeste feder nosso cheiro', simples e direta, exatamente como está no hebraico. Ele não pendeu para as formas elegantes que apareceriam depois, mas que não traduzem fielmente o oriente.
Aqui, Almeida, como poucos outros tradutores, tem o vocábulo 'vinagre', tradução mais direta do grego ὄξος , que se encontra na maioria dos manuscritos gregos, como o Bizantino, o da Igreja Ordotoxa Grega, e o Textus Receptus em Scrivener e Stephanus. Somente uns poucos manuscritos, como os de Westcott e Hort, têm οἶνον, vinho.
A exclusão da última parte do versículo, "que está no céu", é justamente a que mostra a Divindade de Jesus Cristo, isto é, que o Filho do Homem estava no céu ao mesmo tempo que no mundo, porque, sendo Um com Deus, Ele é onisciente, onipresente e onipotente mesmo quanto ao Humano.
A manifetação do próprio Ser Divino entre os homens, como João afirmou, a Palavra era Deus, Deus se fez carne, é confirmada por Paulo a Timóteo como um grande mistério da piedade, mas algumas traduções preferem substituir o termo "Deus" por algo mais indefinido, como "Aquele", abrindo porta para a dúvida quanto a encarnação Divina,
É curioso que algumas traduções omitem que o Senhor Deus Todo-poderoso há de vir. Poderíamos nos estender por muitas páginas com esses quadros comparativos, mas acho que estes são o suficiente para constatarmos que: a) Em todos os comparativos acima, Almeida (1681) diverge significativamente da Vulgata, de Jerônimo, porque, definitivamente, Almeida não traduziu o Novo Testamento a partir da Vulgata. b) O texto original de Almeida (1681) é semelhante ao de Reyna e Varela, sim, quanto ao sentido, mas diferente em vários aspectos. A semelhança se deve ao fato de que ambos, Reyna e Almeida, utilizaram o mesmo texto grego Receptus e tinham o mesmo princípio de tradução, a formal ou literal. Consequentemente, Almeida, também definitivamente, não traduziu o Novo Testamento a partir do espanhol. c) Almeida (1681) é muito próxima também da versão King James, e, quanto ao Novo Testamento, não há qualquer termo discrepante entre esses dois. A razão é a mesma que a que foi vista acima, isto é, ambos os textos mantiveram o mesmo grau de fidelidade ao Textus Receptus. f) Em todos os casos, Almeida (1681 e 1743) é notavelmente próximo à tradução latina de Schimidius: pedra schoham / lapis schoham; morrendo morrerás / moriendo morieris; em gerações do século / in generationes saeculi, etc. Almeida teve o cuidado de expressar exatamente o que o hebraico e o grego diziam. |
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Almeida Restaurada - CNPJ 33.048.944/0001-98 |