Ex-libris

Almeida Restaurada


O Novo Testamento exatamente como foi traduzido e publicado por João Ferreira de Almeida, Theodorus Zas e Jacobus op den Akker em 1681 / 1693.

 

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Críticas a Almeida

Vimos que desde o começo Almeida sofreu críticas por causa de suas regras de tradução e sua intransigência quanto à inteira conformidade com o original hebraico e grego. De fato, ele acreditava na inspiração Divina da Palavra até ao nível dos vocábulos, e era muito criteriososo quanto a não acrescentar nem tirar coisa alguma dos textos sagrados. E foi porque defendeu a integridade do texto traduzido da maneira como saira de sua pena que ele acabou provocando reações inamistosas, mesmo entre seus pares da Igreja Holandesa, tanto na Europa quanto na Ásia.

Na realidade, as críticas mais severas ao texto de Almeida já começaram na quarta edição do Novo Testamento, e foram feitas pelo revisor, o Rev. Maurits Mohr. Mohr, ao revisar e atualizar o texto original, de 1681, desmereceu o “estilo” de Almeida, especialmente no fato de o tradutor português às vezes colocar os verbos no fim das frases. No próprio prefácio da edição de 1772 ele escreve:

 “...pois eu lançar os verbos ao cabo faz o sentido escuro ao leitor portuguez; naõ sabemos por que motivo o Reverendo Joaõ Ferreira foi induzido nos últimos anos de sua vida a fazer essa novidade no estilo portuguez. "

Nos séculos seguintes, até hoje, os defensores de traduções consideradas modernas são em cada vez maior número. E para justificar a validade de suas traduções, muitos atacam a obra de Almeida, por ser “muito literal” ou “antiquada”. A isso respondemos que, diferentemente do que alegam, o estilo do Novo Testamento de Almeida não pode ser tido como antiquado, pois não era do tempo em que foi escrito. Na realidade, quando foi publicado, o texto dos Evangelhos e dos demais livros diferia muito do estilo dos textos daquele tempo, textos esses que, positivamente, podem ser chamados de antiquados para nosso ponto de vista. Mas o estilo do Novo Testamento de Almeida era inusitado, porque era Palavra, e a Palavra transcende o tempo. Mas, a fim de esclarecer esta afirmação, vamos tomar aleatoriamente, como exemplo, uma passagem de Almeida, fazendo somente a atualização ortográfica. Vejamos Mateus 6:22:

“A candeia do corpo é o olho; assim que, se teu olho for sincero, todo teu corpo será luminoso. Porém, se teu olho for maligno, todo teu corpo será tenebroso. Assim que, se a luz que em ti há são trevas, quantas serão as [mesmas] trevas? Ninguém pode servir a dois senhores: pois ou há de aborrecer a o um, e amar a o outro; ou se há de chegar a o um, e desprezar a o outro: Não podeis servir a Deus e a mamon.”

Qualquer um, tendo uma instrução apenas mediana, pode entender muito bem essa passagem (talvez com exceção do vocábulo “candeia”). Pois o estilo é claro, simples, e os pensamentos são bem compartimentados, em frases curtas, tal como nos textos de hoje.

Este, porém, não era o estilo da escrita portuguesa do tempo de Almeida. Naquela época, a exposição dos pensamentos costumava ser longa, com as ideias encadeadas ou emendadas, sem quebras, estendendo-se por várias linhas, com ideias dentro de ideias, fazendo com que a mensagem ficasse complexa. O leitor poderia se perder facilmente entre uma ideia e outra. Mas vejamos como era o estilo “normal” do tempo de Almeida. Tomemos, para isso, o próprio texto com que ele prefaciou o Novo Testamento (fizemos somente a atualização ortográfica):

“A palavra de Testamento é palavra Latina, com que se traslada a palavra Grega diateke, da qual usam os interpretadores gregos, para explicar a palavra Hebraica berith, que significa pacto ou concerto, que propriamente dá a entender o mesmo Pacto, que fez Deus com os homens, para lhes conceder com algumas condições a vida eterna; o qual Pacto é de duas fontes*, a saber, o Novo e o Velho. O Velho é que fez Deus com o primeiro homem antes de sua caída, em o qual se promete a vida eterna com a condição de uma total e perfeita obediência e observância da Lei: por cujo respeito se chama o Pacto da Lei, o qual propôs* Deus outra vez com os Israelitas, para que por meio deles entendessem (visto que esta condição é de todos os homens trespassada, e agora é impossível que nenhum homem a possa cumprir) que eles amister procurar sua salvação em outro Pacto, o qual se chama o Novo, e nisto consiste, que Deus ordenou seu Filho por Medianeiro, e prometeu a vida eterna com condição, que nós creiamos nele; e se chama o Pacto da graça. E também isto por respeito das diversas administrações se chama Velho e Novo. O velho contém a administração deste Pacto antes da vinda do Medianeiro, o qual a Abraham e a seus descendentes é prometido de sua estirpe, e prefigurado pelas muitas cerimônias, escritas por Moyses. O novo contém a administração do mesmo Pacto, depois que o Filho de Deus, o Medianeiro deste Pacto, se encarnou, e reconciliou os homens com Deus. Estes dois Pactos são em verdade um, tocante sua essência, por via que nos ambos o perdão dos pecados, a salvação e a vida eterna se promete, com condição de crer no Medianeiro: mas são diferentes, tocante a administração de ambos, a qual no Novo é mais clara, sem figuras, e estende entre todas as gentes; e o Velho se pode chamar mui bem o Testamento da promessa, e o Novo, o Testamento do cumprimento. Ademais disso ordinariamente se entendem pelo novo e Velho Testamento, os livros, nos quais o estabelecimento, e administração do Pacto são escritos: na qual significação as palavras o Testamento Novo aqui no título se entende, e se porem contra os livros dos santos Profetas, nos quais o Medianeiro deste Pacto é prometido, e descrito de que geração, e em que tempo havia de ser encarnado, e que havia de obrar, e padecer, para reconciliar os homens com Deus, e lhes alcançar, e aplicar a salvação eterna, como nas Escrituras do Testamento Velho antes estava dito e prefigurado, o qual avia de reconciliar os homens com Deus, havia de ser o Unigênito Filho de Deus, eterno e verdadeiro Deus com o Pai, e com o Espírito Santo...” (*) “fortes”, no original.

Este era o estilo de redação daquela época. Muito diferente do “estilo” do tradução de Almeida, como no exemplo de Mateus. E graças a Deus por Almeida não ter usado seu próprio estilo empolado de redação para emprestar eruditismo à Palavra de Deus, e muito menos o tal do método dinâmico em sua tradução.

A origem das críticas a Almeida

Aqui, quando falamos “Almeida”, estamos nos referindo aos textos originais, de 1681, do Novo Testamento, e de 1743, do Velho Testamento e aquelas versões que se mantiveram fiéis a estas nos séculos seguintes. De todas as versões impressas e à venda nas livrarias hoje, somente a chamada Almeida Corrigida Fiel mantém relativa fidelidade aos textos originais, como Almeida pretendia. A maioria das outras sofreu mudanças e, algumas, sofreram tantas alterações no texto de Almeida passaram a ser “híbridas”, isto é, em parte de Almeida e em parte de outros tradutores e outras fontes, embora conservem o nome “Almeida”.

Há pouco mais de um século começou a haver uma proliferação de versões “modernas” da Bíblia. As editoras dos textos chamados de mais modernos entraram numa espécie competição de mercado, porque os textos mais “populares” conquistam a preferência dos cristãos e, por conseguinte, vendem mais e geram mais lucro. Enquanto isso, as versões antigas têm sido  desprezadas como arcaicas, de difícil compreensão. No entanto, como podemos ver cabalmente nos quadros comparativos, as versões mais modernas tendem a se afastar cada vez mais do texto original de Almeida. Ora, se a  versão Almeida original é comprovovadamente próxima, quanto mais elas se afastarem de Almeida, mais se afastarão do texto grego como foi inspirado por Deus. Podemos dizer, grosso modo, que, no caso de versões da Bíblia, vale a regra: quanto mais nova, pior. Infelizmente.

É flagrante que as traduções mais modernas da Bíblia tendem a se adaptar ao gosto popular, deixando em segundo plano a fidelidade ao original. Priorizam o contentamento do receptor da mensagem, e não a pureza da mensagem em si, como foi transmitida. E se isto estiver de fato acontecendo, como acreditamos que está, então a conclusão lógica é que está em curso uma poderosa atuação dos infernos para toldar e, se possível, arrebatar das igrejas a genuína Palavra de Deus.

Texto crítico

No que concerne ao Velho Testamento, desde o primeiro século, passando pela Idade Média, até os dias de hoje, o texto original das traduções foi, quase sempre, o texto hebraico e aramaico. Dissemos "quase sempre", porque há traduções que têm como fonte a Septuaginta, a tradução mais antiga, do hebraico para o grego. A maioria, porém, se baseia no texto hebraico mesmo.

O texto hebraico foi conservado e preservado íntegro graças ao trabalho de rabinos que guardavam a tradição ou o "massorá", que é o conjunto de comentários críticos e gramaticais (soletração, vocalização, divisão em orações e parágrafos etc.) do texto hebraico. Rabinos e eruditos judeus fizeram isso com o objetivo de determinar a forma correta do texto escrito, mantendo-lhe a pureza e evitando que ocorressem quaisquer alterações que não fossem logo detectadas. Pela Divina Providência, o trabalho desses judeus foi tão cuidadoso que o texto hebraico é praticamente imutável e o mesmo até os dias atuais.

Assim, não havendo questionamento quanto aos originais hebraicos, as várias traduções divergem somente quanto à correlação de termos traduzidos ou quanto ao princípio de se manter maior ou menor fidelidade ao texto original.

Infelizmente, a mesma unanimidade não acontece em relação ao Novo Testamento. Desde o começo do cristianismo, as igrejas cristãs fundadas na Ásia Menor (Síria, Turquia etc.) mantinham as suas cópias dos evangelhos e das cartas apostólicas em grego e em suas línguas como o copta e o siríaco. No decorrer dos séculos, essas igrejas se desenvolveram separadamente da igreja de Roma e vieram a formar o que se tornou a Igreja Ortodoxa, com sede principalmente na cidade de Bizâncio ou Constantinopla, na Turquia. Não estando sob o governo papal, elas não estiveram sujeitas aos muitos percalços históricos, políticos e doutrinais da Igreja Católica.

 “Por muitos séculos antes da Reforma, estudiosos do grego eram virtualmente inexistentes na Europa Ocidental. Em 1453, Constantinopla, que era a antiga capital da parte oriental do Império e o centro da Igreja Ortodoxa Oriental, caiu ante os invasores muçulmanos. Um resultado de longo alcance desta calamidade foi que eruditos ‘cristãos’ que conheciam o grego e tinham em sua possessão cópias das Escrituras na língua dos originais, fugiram para a Europa Ocidental, onde suas influências deram um novo ímpeto ao estudo da língua grega. Tem sido dito que ‘A Grécia se ergueu da sepultura com o Novo Testamento em suas mãos.’” Por isso, “aproximadamente 90% dos manuscritos gregos representam o texto-tipo bizantino. Embora esses manuscritos não sejam tão antigos como alguns críticos gostariam, são tão numerosos que deve-se assumir que há, literalmente, centenas de documentos ancestrais, muitos dos quais pertenceram às primeiras eras cristãs.” [1]

Então, a partir o fim do império bizantino e até o fim do século 19, a fonte predominante das traduções do Novo Testamento era o conjunto de manuscritos bizantinos, e estes guardavam a maior semelhança entre si. Com a invenção da imprensa, no século 15, eles passaram a ser impressos, e a primeira impressão do Novo Testamento em grego a partir dos manuscritos bizantinos foi feita em 1514, na Espanha, em Alcalá de Henares, e foi chamada Edição Complutense[2]. Mas, embora feita em 1514, ela só apareceu em 1521, após a publicação das versões de Erasmo (1516 e 1519), Aldina (1518) e  Gerbelius (1521). Erasmo foi reimpresso em 1522, 1527 e 1535. Apareceram também as edições de Collines (1534), Sabio (1538), Stephanus (1546, 1549, 1550, 1551, 1576, 1587), Bryling (1563), Beza (1565, 1588, 1598), Platiniana (1613), Scaliger (1620), Elzevir (1633), Loukaris (1638), Jansson (1639) e Curcellaeus (1658).[3] O prefácio da segunda edição de Elzevir, publicada em 1633, contém as palavras: “Portanto, agora se tem um texto aceito por todos, no qual não há alteração ou corrupção”. Por essa razão surgiu a conhecida denominação “Textus Receptus” ou texto recebido (ou aceito) dada a todos os textos gregos de semelhante origem”[4].

O Textus Receptus, também chamado de Bizantino e Majoritário, foi a origem de todas as traduções protestantes europeias entre 1500 e 1650, como a inglesa, King James Version (1611), as espanholas de Reyna (1571) e Varela (1602), a alemã de Lutero (1522), a italiana de Diodati (1607), a portuguesa de Almeida, além de outras.

Ocorre que, três séculos depois dessa primeira onda de publicação do Texto Recebido, ou seja, em 1844, foram descobertos alguns manuscritos do século IV que foram chamados de Codex Sinaítico. No século 19 também veio a público o Codex Vaticano, que é datado do ano 325 e que tinha estado na biblioteca do Vaticano desde o século XIII.

Pois bem, a descoberta desses dois códices parecia que iria lançar nova luz nos textos originais do Novo Testamento, mas, quando os estudiosos o examinaram o Codex Vaticano, chegaram à conclusão que seu texto divergia dos demais que compunham o Texto Recebido. O mesmo aconteceu com o Códice Sinaítico. E, como se não bastasse, esses dois manuscritos recém-descobertos eram divergentes entre si em mais de 3000 passagens! Isto era algo muito diferente do que acontecera com centenas de manuscritos do Texto Recebido, que primavam por suas semelhanças.

No entanto, apesar dessa flagrante discrepância, dois estudiosos de Cambridge, B. F. Westcott e F. J. A. Hort, começaram a trabalhar com os manuscritos achados para fazer uma nova tradução do grego. Todavia, para que o seu trabalho fosse aceito, mesmo que os originais divergissem tanto entre si e divergissem do Texto Recebido, eles elaboraram diversos princípios ou doutrinas de tradução, como por exemplo, a de que “os manuscritos mais antigos são os mais confiáveis”. Eles também faziam parte de um comitê designado na Assembléia de Canterbury, em 1880, para fazer uma edição revisada da Bíblia em inglês. Então, quando, em 1881, surgiu o Novo Testamento da Versão Revisada, ficou logo evidente que o texto grego de Westcott e Hort havia não apenas influenciado grandemente o comitê, mas, também, que tinha sido largamente empregado na Versão Revisada do Novo Testamento em inglês, mesmo com todas as divergências encontradas neles.

Aos poucos, as teorias de Hort e Westcott foram ganhando adeptos pelo munso e a coleção que consistia principalmente desses dois manuscritos divergentes foi chamada de Texto Crítico. No século 20, esse texto passou a ser a base de muitas traduções modernas, nas quais se aplicam os princípios de tradução da crítica dinâmica. A maior parte das traduções recentes da Bíblia adota o Texto Crítico, que é também conhecido como Texto Minoritário, por ser mais fortemente baseado na minoria dos manuscritos do Novo Testamento atualmente existentes. Todavia é comum chamar de "Texto Crítico" a todas as edições que mantém semelhanças com o texto mais utilizado atualmente, isto é, o Novum Testamentum Graece, como o texto de Westcott e Hort (The New Testament in the Original Greeek) e as primeiras edições Eberhard e Erwin Nestle, entre outras.

O Texto Crítico é contestado por organizações, como a Trinitarian Bible Society, que reconhecem apenas o Textus Receptus, porque este último é apoiado na maioria (mais de 5000 manuscritos) dos manuscritos conhecidos e tem sido amplamente utilizado durante toda a era da Reforma Protestante e mesmo antes, pelos cristãos da Igreja Católica Ortodoxa Grega. Quanto à Igreja Católica Apostólica Romana, ela adotou, desde o princípio a versão Vulgata, que difere do Textus Receptus, porém difere muito mais do Texto Crítico.

Vale a pena transcrever aqui depoimentos de dois teólogos evangélicos que, nos dia de hoje, no Brasil, defendem a inspiração Divina até o nível literal e acreditam que a Palavra tem sido preservada por Deus. O primeiro deles é Hélio Menezes [5], falando sobre o Texto Crítico: “Basicamente reflete apenas 2 dos mais de 5000 manuscritos sobreviventes, e que são os piores e mais corrompidos manuscritos do mundo: os alexandrinos Sinaiticus e o Vaticanus”.

"No Novo Testamento da Imprensa Bíblica Brasileira, na página 55 há a seguinte nota de rodapé, sobre Marcos 16:9-20: "Nos melhores manuscritos antigos não consta o trecho dos versículos 9 a 20."

“Ah, como esta informação é enganadora! Os "melhores" manuscritos a que se referem são apenas 2, contra milhares concordantes entre si e discordantes deles, e esses 2 manuscritos são os mais corrompidos e piores manuscritos de todo o mundo, rasurados em quase toda página, cada um deles remendado pelas mãos de ao menos 10 pessoas de diferentes caligrafias, com milhares de discordâncias de um em relação ao outro e centenas de discordâncias até mesmo de cada um consigo mesmo. Decisivo: Deus não falhou ao preservar o texto em TODAS [ou praticamente todas?] as Bíblias dos salvos fiéis, de 1522 a 1881 = 359 anos!”

“Como prometeu, Deus não só a inspirou como também PRESERVOU a Bíblia perfeitamente, jota por jota, til por til! (Sl 12:6-7; 19:7-8; 33:1; 100:5; 111:7-8; 117:2; 119:89,152,160; 138:2b; Is 40:8; 59:21; Mt 4:4; 5:18; 24:35; Lc 16:17; 1Pd 1:23,25; Ap 22:18-19). Sendo perfeita, esta preservação tem que ter sido contínua. Sendo para nosso proveito, tem que ter sido aqui na terra, em uso, uso incessante, pelos fiéis. O Senhor fez isto através do Texto Massorético do VT e do Texto Tradicional (TT) do NT. Este TT representa a esmagadora maioria dos cerca de 5600 manuscritos hoje sobreviventes do NT em grego, que concordam entre si e foram ininterruptamente usados por TODAS as igrejas fiéis, passando por Antioquia, Ásia Grega, pelos Valdenses (desde os anos 120 até próximo à Reforma), etc. Depois da invenção da imprensa, esse texto foi publicado por Erasmo e outros, e passou a ser adotado por TODAS as traduções para TODOS os idiomas, por TODAS as igrejas "protestantes"! As traduções do TT para o português incluem: a “Almeida” 1681; a “Almeida Revista e Corrigida” até a edição 1894 (hoje, já tem certa influência alexandrina) e a “Almeida Corrigida e Revisada, Fiel”.

“Lamentavelmente, nestes dias de apostasia, os crentes (muitos deles sinceros, mas desadvertidos) começaram a adotar o TEXTO CRÍTICO (TC), que representa uns poucos (às vezes só 2 ou 1!) dos manuscritos oriundos da apóstata Alexandria e tão discordantes entre si!”

E o segundo depoimento é do Dr. Wilbur Pickering, sobre os dois manuscritos principais do Texto Crítico, o Códice Sinaítico [ou Aleph] e o Códice Vaticanus [ou B]:

“Várias pessoas já cotejaram, verificaram letra por letra, esses dois e outros mais também. Um deles, chamado Herman Hoskier, verificou letra por letra esses dois manuscritos e escreveu, então, este trabalho: Codex B and Its Allies, em dois volumes. O primeiro volume, com 500 páginas, sobre o códice B, e mostra, assim, centenas de casos de erros cabais, objetivos, incontornáveis, indiscutíveis. Erros! O segundo volume faz o mesmo serviço com o códice Aleph, só que um pouco menor; são 400 páginas. Não bastando, comparando esses dois, nos 4 evangelhos, discordam entre mais de três mil vezes. Eles discordam entre si mais de três mil vezes, só nos quatro evangelhos! Agora, é meramente uma questão de lógica, de aritmética: um ou outro tem que estar errado três mil vezes! Os dois não podem estar certos se são contra um ao outro desse jeito. Os dois podem estar errados, mas um tem que estar errado, mais de três mil vezes, só nos quatro evangelhos. Agora, eruditos de todas as teorias e linhas de todo o mundo, dizem que o códex Aleph é pior do que o códex B ou menos mau do que o códex B, conforme a sua aproximação. Mas ninguém vai dizer que códex Aleph é mais do que duas vezes pior do que B. Então, três mil erros! Vamos, assim, de forma totalmente arbitrária, vamos dar 1000 erros para B e 2000 erros para Aleph. Agora, um manuscrito com 1000 erros só nos quatro evangelhos, isto, na tua cabeça, é coisa boa?

“Irmãos, aqui é uma questão objetiva. Não é uma questão de “eu prefiro, eu gosto”. Não é assim, não. Aqui é uma questão objetiva. São erros óbvios, gramaticais, cabais, na cara! Erros incontornáveis! E são esses manuscritos que o pessoal diz que são os melhores! Não, Senhor: são os piores, e isto é comprovado, preto no branco! ...

“Vou dizer mais uma coisa: nada como você cotejar ou colecionar manuscritos para você ir sentindo na pele a realidade. Eu mesmo já cotejei, ou verifiquei, letra por letra, pelo menos um livro [evangelho] em mais de 70 manuscritos diferentes do mundo mediterrâneo inteiro. Manuscritos inteiros, de fora a fora, mais de 10.

“Os manuscritos da Família 35, que eu entendo que Deus utilizou para preservar a exata redação original, os manuscritos [medianos] da Família 35, em uma página de texto grego impresso você vai encontrar, em média, uma alteração a cada duas páginas. Os manuscritos bons, você vai ter que [procurar] quatro, cinco páginas, para encontrar uma variação. E muitos deles são perfeitos. Eu tenho cópia perfeita para 22 livros dos 27. Na minha mão! Eu tenho cópia perfeita! 22 dos 27. Isso, da Família 35.

“Tá. Você pega agora a massa bizantina, chamado de KX, você pega qualquer um desses manuscritos, em geral, em cada uma página você vai encontrar de 3 a 5 variações. Você percebe que o copista, aqui, não estava, assim, com o mesmo cuidado que o outro.

“Agora, vamos para os dois manuscritos chamados do tipo alexandrino ou egípcio. Estes são os dois (Aleph e B); têm outros, mas não tem mais do que 13. Entre 1.700 manuscritos, não tem mais do que 13 daquela família, supostamente. E se você pegar um desses manuscritos, numa só página de texto [grego] impresso, você vai encontrar entre 15 e 20 erros! Cada página! Agora, óbvio fica que, quem elaborou essa cópia não cria que estava lidando com Bíblia. “Tava nem aí...” Serviço relaxado, para fazer de 15 a 20 erros em cada página! Não, senhor, por favor! Então, o que se vê no Egito é que o pessoal não cria que isso aí fosse Bíblia. Então, são esses os manuscritos preparados por pessoas que não eram de Jesus, que não tinham o Espírito Santo. Então, é o trabalho dessas pessoas que os eruditos de nossos dias querem adotar e seguir, e é isso aí que está na tua Bíblia mais moderna... Trabalho de satanás, lá no Egito!”

Tradução literal x Tradução dinâmica

Em geral, as traduções que se baseiam no Texto Recebido adotam a tradução literal ou formal, enquanto as que se baseiam no Texto Crítico adotam a tradução dinâmica. Falando da diferença dessas duas doutrinas de tradução, dirigentes da SBTB dizem: “Olhando as Bíblias impressas no português hoje, há três diferentes métodos de tradução adotados: a tradução formal, que traduz cada palavra do original; a tradução dinâmica, que traduz pensamentos; e a tradução paráfrase, em que o tradutor coloca em suas palavras. O risco de se ter uma tradução dinâmica, como a tradução paráfrase, é que você acaba tendo a opinião do tradutor, ao invés das próprias palavras de Deus. Deus inspirou as palavras, não apenas os pensamentos, e nós cremos que cada palavra que Deus inspirou é importante, não apenas pensamentos, porque quando você começa a tentar traduzir apenas pensando nos pensamentos, vêm pensamentos pessoais, em vez de chegar o que Deus quis que nós soubéssemos”[7].

 “O Texto Crítico tem quase 10.000 (7% !) das 140.000 palavras do Novo Testamento grego omitidas, acrescentadas, ou radicalmente mudadas. O método de tradução é frequentemente o de Equivalência Dinâmica, muito diferente do método de equivalência formal usado por Almeida. O resultado são Bíblias com um Novo Testamento radicalmente diferente do de Almeida, pelo menos em 10.000 palavras.” A partir de 1958, os tradutores das falsas Almeida's adotaram um texto grego diferente, que omite todos os milhares de palavras que eles puseram entre colchetes.


 

[1] http://www.biblias.com.br/deupalavr.asp#reproduzindoautentico

[2] Obra de Francisco Ximenes, Cardeal Primaz da Espanha, era parte de seu Poliglota Complutensiano, em seis volumes. Na dedicatória ao Papa Leão X, Ximenes escreveu: “Estamos, na verdade, em débito com vossa Santidade pelas cópias gregas, por nos ter enviado, mui amavelmente da Biblioteca Apostólica, os códices muito antigos, ambos do Antigo e Novo Testamentos, que nos ajudaram muitíssimo neste empreendimento”. O texto grego resultante parece ter sido do tipo bizantino (e não há evidência de que Ximenes tenha, alguma vez, seguido o Codex Vaticanus [B]).

[3] Em 1516, quando Desidério Erasmo, o principal estudioso na Europa, publicou a primeira edição do Novo Testamento grego, baseou-se em manuscritos bizantinos característicos. ... Outros logo seguiram seus passos: o mais famoso deles foi Robert Estienne (latinizado como Estéfano), o editor e impressor francês, cujo texto publicado em 1546 era praticamente idêntico ao de Erasmo. ... Ainda outras edições foram produzidas e impressas por Theodore Beza entre 1565 e 1604.

[4] http://www.biblias.com.br/deupalavr.asp#reproduzindoautentico

[5] http://solascriptura-tt.org

[6] Hélio Menezes falando da versão Almeida Corrigida Fiel, escreveu o seguinte: “Uma das grandes utilidades de termos essas versões originais de Almeida (NT 1681, NT 1693, NT 1712, Bíblia completa 1753, Almeida 1819, etc.) será compararmos com as atuais "Almeida’s" para vermos e nos indignarmos contra o absurdo de algumas Bíblias desonestamente (por questão de marketing, enganando os tolos) usarem o nome "Almeida", mas serem uma tradução baseada num texto grego modificado, corrompido em MILHARES e MILHARES de palavras!!! Puxa, certamente nós ficaríamos calados se as atualizações fossem apenas trocar "baptista" para "batista", "morada" para "residência", ou qualquer atualização de grafia e de gramática. Mas são mudanças completamente diferentes, completamente radicais e injustificadas, muitíssimas delas de gravíssimas repercussões doutrinárias, do tipo de retirar o sangue de Cristo, de diminuir a divindade de Cristo, diminuir a necessidade do jejum, diminuir a doutrina da Trindade, introduzir erros e contradições, etc.” “Choca-me o pensamento de que até o mundo secular se revoltaria se alguém, usando os mesmos nomes dos autores, reeditasse "As Lusíadas" de Camões, com 10 palavras radicalmente adulteradas, 10 palavras radicalmente omitidas, 10 palavras radicalmente acrescentadas; idem para "Dom Quixote" de Cervantes; para "Odisséia" de Homero; e para “Hamlet” de Shakespeare; para o Hino Nacional Brasileiro de Joaquim Osório Duque Estrada; etc., etc., etc. Nenhuma editora se passaria para tão vergonhoso ato, nenhum leitor compraria tal lixo, processos legais seriam levantados contra o fraudulento uso, haveriam campanhas nos jornais denunciando a fraude, a justiça obrigaria pelo menos a que não fossem agora usados, nas falsificações, os nomes dos originais livros e seus autores. Haveria tremenda comoção e revolta entre os amantes e admiradores dos autores originais, o mundo se revoltaria com tão baixa e revoltante fraude. Mas Bíblias surgem usando o nome de Almeida, escondendo que traduzem um texto grego radicalmente diferente e o fazem por métodos radicalmente diferentes dos de Almeida.

[7] Em vídeo, J.Viana, Marcos Silva, Harold Gilme, Robert Kilko; www.youtube.com/watch?v=rXdMYPDX0lM&t=348s)


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